Cia dos Palhaços

 

 

A Origem de Wilson

 

Eu tinha 10 anos de idade, quando vivenciei a importância que um palhaço tem para as pessoas.

Em 1995, em um Hospital em Curitiba, recebi uma visita de dois palhaços vestidos como médicos. Vi aquela dupla atrapalhada, tão perdida que não sabia nem o caminho da porta, me lembro que durante a interação um deles perguntou:

-Qual é o nome dele, mãe?

Minha mãe:

-Eliezer.

O palhaço:

-Ele é o que, mãe?

Dali em diante os risos só aumentaram, ao final não gostaria que fossem embora, porque para mim aconteceu um momento mágico. Prova de que isso realmente muda e transforma o olhar de um ser humano e resgata o que ele tem de mais saudável, que é o poder brincar. E tudo passou muito rápido e eles foram embora, como se fosse um sinal para eu nunca mais esquecer. Foi quando virei para minha mãe e disse:

-Mãe! quero ser como eles!

 

 

 


Wilson

Oi,

Sou o Wilson,

Um palhaço de poucas palavras e muitos amigos...e modesto.

Um músico que se perdeu nos instrumentos e não acha o caminho de volta.

Um mímico que ainda não é.

Uma pira de vozes, um trailer, um filme..

Um maestro russo metódico

e um sério que brinca.

 


A Cia e Wilson

 

A importância de ter entrado em contato com bons palhaços foi o que me motivou a pesquisar essa arte.

Os Doutores da Alegria me mostraram isso. Mas na época pra mim eles eram de muito longe, mas foi bom porque eu fiquei sabendo que existiam bons palhaços!

Com 16 anos de idade eu começei a existir, tive minha primeira oportunidade de fazer médico-palhaço em um pequeno hospital de Curitiba dentro de um projeto chamado Drs Mimo Riso.

Eu era realmente louco por aquilo!Fascinado!Eu poderia ficar horas e horas...

Lembro bem que um dia cheguei a ficar das 13h até as 17h30 interagindo com médicos e pacientes. Pra mim era o que eu adorava fazer.

Nessa época eu fazia 2 vezes por semana visita em hospital e quando deixavam até 3. Estudava de manhã no Colégio Estadual do Paraná, levava meu figurino junto com os cadernos, meu sapato não cabia na mochila e eu pendurava do lado de fora. Conheci meu amigo Samuel com quem viria a fazer médico palhaço comigo. Nós gostávamos de brincar e fazer rir, éramos os populares palhaços da turma. Um dia começamos a brincar no saguão do colégio, e, de repente começou a juntar pessoas..amigos... Eram dois bancos grandes cheios de gente! Pra mim foi inesquecível esse dia!

Eu fiquei vislumbrado com essa arte! Um ano depois lamentei a saída de meu amigo do projeto de ir em hospitais, concordava que pra gente era difícil, pois não ganhávamos pra isso, mas ele precisou sair..

Mas não desisti. Continuei naquele projeto, algo me fazia acreditar e não parar.

Meu caminho então começou a tomar rumo. Conheci Rafael (Palhaço Alípio)e Milene (Palhaça Sombrinha) aí meu amigo... aí que eu não parei mesmo!!

Eles eram demais! O menor casal de palhaços que eu admiro até hoje!

Na época, fazia muito hospital com Rafael, era de se deliciar com brincadeiras, de curtir a tarde inteira.

Ficamos muito amigos, Rafael tinha muita amizade com Cleonice que dirigia o Tecefet. Foi lá que nasceu o zigoto da Cia dos Palhaços, um dia no banco do pátio do Cefet ele tirou um desenho de um palhaço preto gordinho...

Nos empolgamos aquele dia! Algum tempo depois ele veio com a idéia de fazermos um grupo de estudo de palhaços. Nos encontrávamos para pesquisar no salão de festas no condomínio dele. Treinavámos também na cancha de futsal. Em um dia desses de treino, veio um cara alto, alto, magro, falante... Lembro que pensei: -Nossa! O cara fala pra cara.....! Haha

Mas eu gostava do ânimo que trazia consigo. Era contagiante! Em um dos encontros improvisamos juntos pela primeira vez. Pensei:

Esse cara é bom!!

Começamos a ir em hospitais também e em uma das visitas participei do seu batismo. Veio a ser conhecido como Sarrafo.

A Cia então formou-se com quatro palhaços jovens e empolgados.

Nossa primeira apresentação foi o "Emkompanhia de Palhaços" um sarau com participação de outros artistas e seus números.

No ano seguinte decidimos realizar um grande projeto, O "Palhaços Pondo a Mesa" evento social da Cia com objetivo de ajudar a quem precisava e difundir a arte do palhaço em Curitiba.

A idéia nos rendeu um prêmio e muitos parceiros. Logo depois decidimos colocar a Cia para durmir e pesquisar em duplas. Nessa época em um dia de brincadeiras com o Felipe pedi pra ele segurar a gaita de boca pra eu conseguir tocar violão e gaita juntos... surge o "Concerto em Ri Maior", meu grande xodó e orgulho, um espetáculo que desejo apresentar por toda minha vida.

Paralelo a isso, começamos a apresentar o sarau em versão de Cabaré, onde eram eu(Wilson), Felipe(Sarrafo) e Rafael(Alípio).

Durante esses cabarés chamavamos amigos, malabaristas e artistas afins. Um dia foi apresentar um malabarista, um rapaz meio desengonçado e atrapalhado, e as pessoas gostavam e davam risada dele, porque ele tentava fazer certo mas dava tudo errado. Ele era muito perdido. Começou a fazer oficinas de palhaço com Rafael(Alípio) e logo depois veio apresentar o cabaré com a gente. Era o Macaxeira.

Das tantas apresentações de Cabaré decidimos criar outro espetáculo que seria de improvisação. Nesse espetáculo surge então outra palhaça. Chega para contemplar e completar o time Tinoca.

Retomamos com a Cia pra valer e em 2008 fundamos o Espaço Cultural Cia dos Palhaços.

 

 


A Pesquisa de Wilson

 

A música de fato sempre me chamou atenção. Quando pequeno aprendi as primeiras notas musicais com minha irmã no teclado. Mas eu quase sempre dormia na explicação, porque o som do teclado era muito ruim e sonolento. Gostava mesmo era de violão, quando minha irmã já não dava mais bola pro teclado troquei por um violão, começei a comprar algumas revistinhas e aprendi a tocar. Ganhei de aniversário uma gaita de boca mas não conseguia tocar direito.

A única pessoa da família que eu sabia que tocava algum instrumento era meu falecido avô. Era um acordeon!

Sabendo disso fui atrás pra ver onde estava esse instrumento, não o encontrei.. Dias depois liga minha tia dizendo que tinha um acordeon guardado há muitos anos. Pensei:

- nem pensei, quando minha tia desligou o telefone, eu já tocava sua campainha. Oi Tia!

Esperei aquele gigante acordeon impaciente na sala. De repente vem minha tia com uma pequena sacola antiga de mercado. Eis que ela tira um acordeon de 3 baixos todo de madeira com quase 40 anos!! Fiquei tão feliz que não sabia se chorava, se ria ou se dava um beijo na boca da minha tia!

Só fiz a segunda opção mesmo.

Em casa procurava na internet coisas sobre ele e como poderia aprendê-lo a tocar. Na mesma semana saiu a primeira canção, a música que mais tarde viria a dar origem a um número do Concerto em Ri Maior.

Algum tempo depois veio a vontade pelo piano...

De tanta vontade, surge um piano Franz Suhr da década de 80 em um bar sendo reformado. Nosso produtor chega lá e vê os pedreiros usando o piano como apoio para reformar o teto. Restos de reboco caíam sobre ele. Coitado.

Adotamos ele e começei a retomar minhas aulas de piano menos sonolentas.

 

 

 

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