Cia dos Palhaços
16/07/2010
O fracasso do acidente
 

 O Fracasso do Acidente

Após uma grande falha técnica na apresentação de "Concerto em Ri Maior" no Teatro Regina Vogue dia 12/07, onde queimaram-se 12 lâmpadas-pares e o sistema de som não funcionava até os cinco minutos antes do inicio do espetáculo, concluí de corpo e alma que o fracasso do acidente para um palhaço pode ser seu triunfo.

Em meio a esses erros apresentamos nosso espetáculo, onde o violão não funcionava, o microfone dava microfonia, e o público continuando a rir e a torcer para que tudo acabasse bem.

Tenho um exemplo de um grande mestre e palhaço russo chamado Popov que nos fala do fracasso:

Para ele, "o destino de um palhaço é um destino difícil". Sua vida e sua arte supõe fracassos.

Segundo ele:

No inicio de minha carreira, não somente eu não sabia se teria sucesso, mas estava mesmo convencido do contrário, Essa convicção era devida as dificuldades imensas do ofício que se apresentaram então aos meus olhos. A medida que meus conhecimentos a respeito do ofício se aprofundaram, meu conhecimento dos fracassos fez o mesmo. Como muros, derrubam os fracos, mas fortalecem os fortes. Eu tentava não cair, mas muitas vezes foi difícil. Meus primeiros golpes, eu os recebi como para me punir de minha tentativa de simplificar minha máscara cênica. Muitas pessoas viram nisso um sacrilégio contra as santas tradições do circo. Tive muitas dificuldades para me livrar da influência de certos tabus. Mas, levantando de um golpe, eu recebia outros, pois numerosos esquetes não combinavam com meu novo personagem. O silêncio de morte da sala após um número é uma coisa muito pior que a mais terrível das censuras atrás das cortinas. Eu conheci tanto uma como a outra. E a cada fiasco, de bom grado, eu devia passar em revista todo o caminho percorrido.

Eu disse tudo isso para mostrar que a fidelidade a minha máscara a cada etapa do caminho não era uma simples inércia, mas uma espécie de façanha, pois cada dia minha originalidade devia passar em exame. Diga a um estudante que seus exames não terminarão nunca e eu não estou certo que persista após isso na sua vontade de se tornar engenheiro. A vida do artista, diz ele, é "procurar, fracassar e encontrar."

Diante dessa maravilhosa experiência de Popov posso dizer que perder é bom. Nesse dia ganhamos várias outras coisas boas quando perdemos a luz e o som, pois não ganhamos exatamente o que perdemos.

 

 

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Maria Teresa de Arruda - 19/07/2010 15:52:06

O mais interessante é que apesar de tudo o espetáculo fluiu muito bem!
O clima estava ótimo dentro na platéia!!!!

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